Crítica – Verity

Como uma grande fã dos livros de Colleen Hoover, posso dizer que essa adaptação não foi a pior das que fizeram de suas obras. Pelo contrário, dessa gostei muito, pois, ao me colocar no ponto de vista de quem nunca leu a obra, pude assistir ao filme e ter uma interpretação muito próxima da que tive ao ler o livro. Afinal, a história nos deixa com uma dúvida difícil de ignorar: acreditar no manuscrito ou na carta?
Dirigido por Michael Showalter, o filme traz um elenco de peso para dar vida a personagens bem sombrios do livro. Ao se mudar para a residência dos Crawford com o objetivo de pesquisar as anotações de Verity, Lowen encontra um manuscrito autobiográfico escondido. O texto revela relatos chocantes e segredos perversos sobre o passado da família, incluindo a trágica morte de um dos filhos do casal.

Dakota Johnson conseguiu interpretar bem a personagem Lowen. Mesmo sem todos os detalhes que só o livro pode entregar, algo que vale para todos os personagens, a atriz conseguiu transmitir a imagem de uma mulher em luto, passando por dificuldades e que, em alguns momentos, acaba duvidando de si mesma. Suas inseguranças a levam a se envolver profundamente com o manuscrito e, por conta da escrita envolvente de Verity, ela passa a desejar o marido da escritora, Jeremy, interpretado por Josh Hartnett. Tudo isso acontece mesmo diante do medo e da repulsa que a própria história desperta em relação a Verity.
Anne Hathaway, como Verity, entregou tudo e mais um pouco. Linda em algumas cenas e assustadora e decadente em outras, chega a nem parecer a mesma mulher. Essa dualidade torna a personagem ainda mais interessante, principalmente porque nunca sabemos até que ponto podemos confiar no que nos é apresentado. A frieza de suas cenas e o quão repulsivas algumas delas são deixam tudo mais perturbador, especialmente quando nos questionamos se situações como aquelas poderiam acontecer na vida real. Para mim, esse é um dos motivos que tornam a história tão boa.

Um ótimo filme no geral, com uma fotografia linda e doses certas de susto. Mas, para muitos leitores, o filme não agradou devido à falta de algumas informações relevantes que poderiam deixá-lo ainda mais perturbador. Infelizmente, adaptações costumam ser mais corridas e dificilmente conseguem transmitir todos os detalhes que só a leitura pode oferecer. Isso não impede ninguém de ir ler o livro. Acho até que essa pode ser uma boa jogada de marketing: aqui está parte da história, se ficaram interessados, leiam a obra completa. Mas, para quem não faz questão de ler o livro e é do time que prefere esperar o filme sair, acredito que vale a pena assistir, principalmente para quem gosta de histórias que deixam dúvidas e fazem você questionar tudo o que acabou de ver.
E, se ficaram em dúvida quanto ao time ao qual pertenço, eu sou do time do manuscrito. Pelo simples fato de que, sim, existem mulheres horríveis de verdade como Verity neste mundo e, algumas vezes, até piores.